10.11.10
8.11.10
20.8.10
23.7.10
21.7.10
PORCA! PORCA!
Mesmo em Portugal, a experiência de conduzir ouvindo uma senhora a gritar “PORCA! PORCA!” na faixa do lado tem o seu quê de aviltante. Sobretudo quando se possui carta há apenas duas ou três semanas, como sucede com a minha filha. Se eu teria ficado incomodado, imagine a menina, para mais estando o automóvel dela tão lavadinho. Que canhestra manobra poderia ter levado uma senhora com ar de quem esteve presente na inauguração do Martinho da Arcada a comportar-se como um motorista de táxi do aeroporto de Lisboa a quem houvessem pedido uma corrida para, sei lá, a Portela de Sacavém?
A idosa acabou por mudar de direcção e o meu trémulo rebento lá seguiu o seu caminho, procurando controlar os nervos e retirar algum sentido de tão afrontoso trato por parte da colega automobilista. Eis senão quando outro condutor se lembrou de abrir o vidro eléctrico do lugar do passageiro do carro dele e gritar: “PORCA! PORCA!”.
Há que admiti-lo: seria de mais até mesmo para mim, que já conduzi em Itália (aqui o leitor estremece). Aterrorizada, a menina ponderou encostar o carro à berma, ligar os quatro piscas, vestir o colete, colocar o triângulo à distância regulamentar – perdoemos-lhe essas ingenuidades, praticamente acabou de tirar a carta – e pedir boleia para o resto do caminho. Parecia-lhe tão mais seguro. Foi aí que o olhar dela se prendeu na porta. “Não estava muito bem fechada, pai”, disse-me com aquela candura que me dá sempre vontade de a fazer co-titular da minha conta bancária.
Então expliquei-lhe como em finais do séc. XIX ficou cientificamente provado que algumas consoantes, a uma velocidade superior a 40 km/h, são difíceis de discernir quando gritadas de um outro objecto em andamento a mais de quatro metros de distância (ficou também provado que, a velocidades acima de 50 km/h, os ocupantes das viaturas explodem; o mesmo sucedendo debaixo de água, mas por motivos completamente diferentes. A explicação não tem aqui cabimento porque é demasiado técnica e deixa tudo numa imundície).
A menina, eu nem precisava de o dizer, ficou muito contente. Até porque, não se tratando propriamente de um elogio, a locução “PORTA! PORTA!” está longe de poder ser classificada como injuriosa. Em tribunal, renderia quando muito um double cheeseburguer. Em todo o caso, sei-a agora muito mais preparada para outro tipo de locuções, quiçá não tão coloridas mas bem menos simpáticas, como “És ceguinha ou quê, pá?” ou “Os seus documentos, por favor”.
A idosa acabou por mudar de direcção e o meu trémulo rebento lá seguiu o seu caminho, procurando controlar os nervos e retirar algum sentido de tão afrontoso trato por parte da colega automobilista. Eis senão quando outro condutor se lembrou de abrir o vidro eléctrico do lugar do passageiro do carro dele e gritar: “PORCA! PORCA!”.
Há que admiti-lo: seria de mais até mesmo para mim, que já conduzi em Itália (aqui o leitor estremece). Aterrorizada, a menina ponderou encostar o carro à berma, ligar os quatro piscas, vestir o colete, colocar o triângulo à distância regulamentar – perdoemos-lhe essas ingenuidades, praticamente acabou de tirar a carta – e pedir boleia para o resto do caminho. Parecia-lhe tão mais seguro. Foi aí que o olhar dela se prendeu na porta. “Não estava muito bem fechada, pai”, disse-me com aquela candura que me dá sempre vontade de a fazer co-titular da minha conta bancária.
Então expliquei-lhe como em finais do séc. XIX ficou cientificamente provado que algumas consoantes, a uma velocidade superior a 40 km/h, são difíceis de discernir quando gritadas de um outro objecto em andamento a mais de quatro metros de distância (ficou também provado que, a velocidades acima de 50 km/h, os ocupantes das viaturas explodem; o mesmo sucedendo debaixo de água, mas por motivos completamente diferentes. A explicação não tem aqui cabimento porque é demasiado técnica e deixa tudo numa imundície).
A menina, eu nem precisava de o dizer, ficou muito contente. Até porque, não se tratando propriamente de um elogio, a locução “PORTA! PORTA!” está longe de poder ser classificada como injuriosa. Em tribunal, renderia quando muito um double cheeseburguer. Em todo o caso, sei-a agora muito mais preparada para outro tipo de locuções, quiçá não tão coloridas mas bem menos simpáticas, como “És ceguinha ou quê, pá?” ou “Os seus documentos, por favor”.
29.6.10
Uma carta a Queiroz
Um tipo chamado Phil Woosnam, antigo jogador e treinador galês hoje naturalizado americano porque não se conseguia lembrar de como se dizia “futebol” em inglês, sintetizou na perfeição a filosofia do jogo. Ele dizia que “se a bola se mexe, devemos dar-lhe um pontapé; se não se mexe, devemos pontapeá-la até que se mexa”.
Não sei dar ao professor Queiroz, muita honra como vai o prazer é todo meu guardarei este momento para sempre no meu coração, maior ajuda do que isso que leu nesse parágrafo aí em cima. Conto que seja suficiente para, mais logo, bater a selecção adversária. A cuja é a Espanha, lembrei-me agora mesmo.
Allez les bleus! ou lá o que é que se diz nestas ocasiões, eu estarei torcendo uma vuvuzela por vocês.
Não sei dar ao professor Queiroz, muita honra como vai o prazer é todo meu guardarei este momento para sempre no meu coração, maior ajuda do que isso que leu nesse parágrafo aí em cima. Conto que seja suficiente para, mais logo, bater a selecção adversária. A cuja é a Espanha, lembrei-me agora mesmo.
Allez les bleus! ou lá o que é que se diz nestas ocasiões, eu estarei torcendo uma vuvuzela por vocês.
25.6.10
Das festas
Ando tão babado por a minha filha ter passado no exame de condução que Sete Rios vai finalmente justificar o nome que tem. Arreceio-me até de, com a emoção, dar alguma informação errada, mas aqui vai.
Em primeiro lugar, não esquecer que Brasil e Portugal jogam às 17:53 na África do Sul (hora local, em Portugal continental serão 17:30). O meu prognóstico para o jogo, construído a partir da análise científica de todos os dados disponíveis, do lançamento de búzios e de uma pergunta que fiz da varanda a um transeunte, é empate sem golos. Em segundo lugar, lembre-se de que Eugénio Oneguine vai passar pelo São Carlos às oito. É uma boa oportunidade para, finalmente, assistir ali a uma ópera em que se percebe tudo o que os intérpretes dizem. Last but not least, se perdeu Brel nos Açores ontem, ainda está a tempo de o ver, hoje e amanhã, no Jardim de Inverno do S. Luiz. Não vá, não, e daqui por trinta anos, quando lhe perguntarem “Lembras-te daquela coisa extraordinária do Nuno Costa Santos e tal”, vai corar muito e dizer que está com a memória fraquinha e ninguém vai acreditar porque seria praticamente impossível ter-se esquecido.
Em primeiro lugar, não esquecer que Brasil e Portugal jogam às 17:53 na África do Sul (hora local, em Portugal continental serão 17:30). O meu prognóstico para o jogo, construído a partir da análise científica de todos os dados disponíveis, do lançamento de búzios e de uma pergunta que fiz da varanda a um transeunte, é empate sem golos. Em segundo lugar, lembre-se de que Eugénio Oneguine vai passar pelo São Carlos às oito. É uma boa oportunidade para, finalmente, assistir ali a uma ópera em que se percebe tudo o que os intérpretes dizem. Last but not least, se perdeu Brel nos Açores ontem, ainda está a tempo de o ver, hoje e amanhã, no Jardim de Inverno do S. Luiz. Não vá, não, e daqui por trinta anos, quando lhe perguntarem “Lembras-te daquela coisa extraordinária do Nuno Costa Santos e tal”, vai corar muito e dizer que está com a memória fraquinha e ninguém vai acreditar porque seria praticamente impossível ter-se esquecido.
21.6.10
18.5.10
Desfazendo mitos
Não é verdade que o Canal Parlamento tenha sido criado para que os outros canais pudessem parecer interessantes.
17.5.10
30.4.10
Escrevem “Retrato de um jovem”
como se, sem essa informação, fôssemos incapazes de perceber que o retratado não é propriamente um idoso.
28.4.10
Willing suspension of disbelief
Se acha a verdade desconfortável, experimente as cadeiras da Cornucópia.
9.4.10
7.4.10
Subscrever:
Mensagens (Atom)



